O cinema construiu algumas de suas histórias mais
fascinantes longe das telas. Brigas entre grandes diretores e estrelas,
romances secretos, filmagens que teriam levado atores ao limite, cenas cuja
reação seria verdadeira porque os intérpretes não sabiam o que aconteceria e
produções tão caóticas que seus próprios realizadores teriam perdido o
controle. Repetidas durante décadas, muitas dessas histórias passaram a
integrar a memória do cinema quase com a mesma força dos próprios filmes.
Mas quanto delas aconteceu realmente?
Vamos descobrir se existe realmente uma pessoa enforcada
aparecendo ao fundo de uma cena de O Mágico de Oz e investigar se
Stanley Kubrick submeteu deliberadamente Shelley Duvall a sofrimento
psicológico durante O Iluminado. Em Alien, voltaremos à famosa
cena do chestburster para saber quanto os atores realmente conheciam antes de
filmá-la, enquanto O Que Terá Acontecido a Baby Jane? nos levará à
lendária rivalidade entre Bette Davis e Joan Crawford.
Duas histórias permitirão observar como Hollywood construiu
a imagem de suas estrelas. Uma delas investigará o relacionamento mantido
durante décadas por Katharine Hepburn e Spencer Tracy, parceiros em nove
filmes. Outra examinará a ideia de que os homens que contracenavam com Audrey
Hepburn invariavelmente se apaixonavam por ela.
Também colocaremos frente a frente Stanley Kubrick e Kirk
Douglas para descobrir o que realmente aconteceu durante Spartacus.
E atravessaremos gerações de cinema de ação para investigar uma imagem
associada primeiro a Steve McQueen e hoje a Tom Cruise: até que
ponto esses astros realmente dispensam dublês nas cenas mais perigosas?
Algumas investigações entrarão em produções que se tornaram
lendárias pelo próprio caos. Em Casino Royale, procuraremos saber quanto
a rivalidade entre Peter Sellers e Orson Welles contribuiu para os problemas do
filme. Em Apocalypse Now, a pergunta será ainda maior: Francis Ford
Coppola realmente perdeu o controle de sua produção enquanto arriscava seu
patrimônio e sua própria estabilidade para terminar o filme?
Em Tubarão, examinaremos uma das histórias mais
repetidas sobre Steven Spielberg: o defeito constante do tubarão mecânico
realmente obrigou o diretor a escondê-lo e, quase por acidente, criou o
suspense que tornou o filme um clássico?
Psicose terá uma investigação especial. A cena do
chuveiro acumulou tantas histórias ao longo das décadas que colocaremos à prova
três de seus grandes mitos.
Também haverá filmes que transformaram a própria ideia de
verdade em parte de sua linguagem. Fargo anuncia ao espectador que está
contando uma história verdadeira. Estava? E A Bruxa de Blair será o
ponto de partida para investigar se o público realmente acreditou estar
assistindo às últimas imagens de três jovens desaparecidos. A história
permitirá ainda revisitar o fenômeno do found footage, a internet nascente e a
extraordinária relação entre o pequeno investimento na produção e uma
bilheteria mundial próxima de US$ 250 milhões.
A investigação mais delicada da primeira série será dedicada
a O Último Tango em Paris. O objetivo será separar aquilo que Maria
Schneider efetivamente viveu durante a filmagem da famosa cena com Marlon
Brando da versão que posteriormente passou a circular sobre o que teria
acontecido diante das câmeras, sem minimizar os procedimentos que a própria
atriz denunciou e Bernardo Bertolucci posteriormente reconheceu.
Cada investigação poderá chegar a um de quatro resultados: FALSO,
EXAGERADO, NÃO COMPROVADO ou CONFIRMADO. O veredito, porém, nunca será
decidido antes da pesquisa.
É justamente aí que está a proposta de MITOS DO CINEMA.
Não queremos substituir uma lenda por outra nem transformar a história do
cinema numa coleção de desmentidos. Queremos descobrir como essas histórias
nasceram, por que continuamos a repeti-las e, principalmente, o que aparece
quando confrontamos a versão consagrada com aquilo que as evidências realmente
permitem afirmar.
Nas próximas edições, essas quinze histórias começarão a ser
abertas, uma a uma.
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