A filmografia de Roman Polanski atravessa mais de seis
décadas, diferentes países, sistemas de produção e gêneros. Apesar dessa
diversidade, sua obra mantém uma forte identidade autoral, construída em torno
de relações de poder, paranoia, confinamento, instabilidade da percepção,
sexualidade e personagens que frequentemente perdem o controle sobre o mundo ao
redor.
Para observar sua evolução, o CLC Balanced Rating divide os 23 longas analisados em quatro grandes fases.
A primeira, entre 1962 e 1967, corresponde à formação de um
universo autoral. De A Faca na Água a A Dança dos Vampiros,
Polanski estabelece rapidamente os elementos que continuariam reaparecendo em
sua obra. Essa fase apresenta média CLC Score de 7,62.
A segunda, entre 1968 e 1979, é a fase da consagração e
expansão da linguagem. O Bebê de Rosemary, Macbeth, Que?, Chinatown,
O Inquilino e Tess mostram um diretor capaz de circular por
gêneros e formas muito diferentes sem perder sua identidade. É a fase de maior
reconhecimento médio, com 7,70.
Entre 1986 e 1999, surge um período de deslocamento e
reconstrução. Depois de um longo intervalo, Polanski retoma a carreira com
filmes muito diferentes entre si e volta a trabalhar temas e mecanismos já
presentes em sua obra. A média da fase cai para 6,30, a menor de sua
trajetória.
Finalmente, entre 2002 e 2023, começa a fase de retorno ao
primeiro plano e carreira tardia. Iniciada por O Pianista, essa etapa
reúne oito longas e alcança média de 6,88.
As médias ajudam a organizar a trajetória, mas não contam
sua parte mais interessante.
Polanski não construiu uma carreira que possa ser
representada por uma curva regular de formação, ascensão, auge e declínio.
Dentro de uma mesma fase, filmes muito bem recebidos podem
ser seguidos por obras de recepção muito inferior. Uma queda acentuada não
necessariamente inaugura um período de decadência. Da mesma forma, um grande
retorno não produz obrigatoriamente uma nova sequência de estabilidade.
Essa irregularidade acompanha praticamente toda a
filmografia.
O resultado é uma carreira marcada por picos, quedas e
recomeços. Polanski consegue alcançar alguns de seus maiores reconhecimentos em
momentos muito distantes entre si, demonstrando que seu cinema nunca dependeu
de um único período de consagração.
E é justamente aí que sua trajetória se torna
particularmente significativa.
Apesar das oscilações, Polanski construiu uma filmografia de
elevado reconhecimento porque, em diferentes décadas, realizou obras que
permaneceram centrais na história do cinema. Repulsa ao Sexo, O Bebê
de Rosemary, Chinatown e O Pianista pertencem a momentos
muito diferentes de sua carreira, mas ajudam a explicar por que sua obra
continua sendo observada como um conjunto de grande importância.
Isso também impede que sua trajetória seja reduzida às fases
de maior ou menor média.
O que permanece não é a regularidade.
É a capacidade de, depois de quedas importantes, voltar a
produzir filmes capazes de ocupar posições centrais dentro de sua própria
filmografia.
No caso de Roman Polanski, o CLC Balanced Rating revela uma
carreira sem uma curva característica, mas com algo talvez mais importante: a
recorrência de grandes filmes ao longo de mais de quarenta anos.
Na Biblioteca da Filmoteca, a análise completa apresenta as
quatro fases da carreira e a tabela com as avaliações de público, crítica e CLC
Score dos 23 longas analisados.