FILMOTECA - Revista de Cinema: Pág. 4


Além dos Filmes

A inteligência artificial já entrou no cinema


De efeitos visuais à geração de cenas completas, a inteligência artificial começa a ocupar diferentes etapas da produção audiovisual. Ainda está longe de substituir o processo de realização de um filme, mas já reduz tempo e custos, altera rotinas profissionais e permite criar imagens que antes não caberiam em determinados orçamentos. Ao mesmo tempo, novas ferramentas começam a avançar sobre uma fronteira diferente: produzir imagem, movimento, diálogos e sons sem que uma câmera tenha registrado a cena.

Em uma sequência de El Eternauta, série argentina lançada pela Netflix em 2025, um edifício desaba em Buenos Aires. A cena poderia passar despercebida como mais um dos muitos efeitos visuais das produções contemporâneas. A diferença está na maneira como foi realizada. Pela primeira vez em uma produção original da Netflix, inteligência artificial generativa foi utilizada para produzir material que chegou à versão final exibida ao público.

Segundo a empresa, a sequência foi concluída dez vezes mais rápido do que seria pelos métodos tradicionais de efeitos visuais. A Netflix acrescentou que realizar o mesmo trabalho convencionalmente teria um custo incompatível com o orçamento da série. O caso tornou-se especialmente revelador porque retira a discussão sobre inteligência artificial do terreno das previsões. A tecnologia já está sendo utilizada profissionalmente e começa a alterar decisões concretas sobre o que pode ou não ser colocado na tela.

Isso não significa que os grandes estúdios estejam entregando filmes inteiros à inteligência artificial. O processo é mais gradual e fragmentado. Diferentes ferramentas estão sendo incorporadas a etapas específicas da produção, desde a concepção visual anterior às filmagens até efeitos, transformação de rostos e vozes e montagem.

Ao mesmo tempo, uma segunda frente começa a avançar mais rapidamente. Sistemas generativos já conseguem produzir pequenos trechos audiovisuais nos quais a imagem, os personagens, os movimentos de câmera, as falas e os sons podem ser criados digitalmente, sem que aquela cena tenha sido filmada.

São duas transformações relacionadas, mas diferentes. Em uma, a inteligência artificial entra no processo tradicional de fazer um filme e modifica determinadas etapas. Na outra, começa a gerar o próprio material audiovisual que antes dependeria de uma filmagem, animação ou efeitos digitais convencionais.

ANTES DE COMEÇAR A FILMAR

Boa parte do trabalho de um filme ocorre antes que a câmera seja ligada. Diretores e suas equipes desenvolvem referências visuais, desenham personagens e cenários, produzem storyboards e, em projetos mais complexos, constroem versões preliminares das sequências para decidir como serão realizadas.

É uma fase que exige sucessivas tentativas. Um cenário pode ser imaginado de várias maneiras antes de chegar à versão definitiva. Uma sequência de ação pode passar por dezenas de desenhos até que o diretor determine posições de câmera, movimentos e enquadramentos. Em grandes produções, animações tridimensionais simplificadas ajudam a antecipar o resultado antes que cenários sejam construídos e equipes mobilizadas.

A IA generativa está reduzindo o tempo necessário para produzir algumas dessas alternativas. A partir de descrições, desenhos e imagens de referência, artistas podem gerar rapidamente diferentes possibilidades para um cenário ou personagem e produzir versões preliminares de uma sequência. O trabalho humano permanece necessário para escolher, corrigir e dirigir o resultado, mas aumenta consideravelmente o número de alternativas que pode ser experimentado em determinado período.

Os grandes estúdios já observam essa possibilidade. A Lionsgate, responsável por franquias como John Wick e Jogos Vorazes, estabeleceu uma parceria com a empresa de inteligência artificial Runway para desenvolver aplicações destinadas ao processo de produção, incluindo storyboard e previsualização.

O interesse econômico é evidente. Decisões tomadas com maior rapidez antes das filmagens podem evitar reconstruções, novas diárias de estúdio e retrabalho posterior. Nesse estágio, a inteligência artificial pode não aparecer diretamente na tela e o espectador dificilmente saberá que foi utilizada, embora seus efeitos sejam percebidos no tempo e nos recursos necessários para produzir o filme.

QUANDO A IMAGEM NÃO ESTAVA DIANTE DA CÂMERA

Os efeitos visuais constituem uma das áreas em que a transformação é mais fácil de perceber. Criar uma cidade inexistente, destruir digitalmente um prédio ou colocar milhares de pessoas em uma batalha exige tradicionalmente várias especialidades. Objetos precisam ser modelados em três dimensões, superfícies recebem texturas, movimentos são animados, partículas são simuladas, iluminação é construída e as imagens precisam ser renderizadas e integradas às cenas filmadas.

A inteligência artificial não eliminou esse processo, mas começou a executar ou acelerar partes dele. Sistemas generativos podem produzir elementos de uma imagem a partir das orientações e referências fornecidas pelos artistas, diminuindo o trabalho necessário para chegar a determinados resultados.

Foi nesse contexto que El Eternauta chamou a atenção. A economia de tempo divulgada pela Netflix seria relevante em qualquer produção, mas a informação mais significativa talvez seja outra: segundo a empresa, a sequência do desabamento provavelmente não seria realizada daquela maneira se dependesse exclusivamente do processo convencional, porque seu custo ultrapassaria o que a série podia gastar.

A série bíblica House of David, da Amazon, levou essa utilização a uma escala maior. A segunda temporada empregou inteligência artificial em mais de 350 planos, segundo levantamento publicado pela revista americana Wired. A tecnologia participou da criação e ampliação de exércitos, ambientes e elementos de grandes sequências. Seus realizadores afirmam que parte dessas imagens não poderia ser produzida na mesma escala dentro do orçamento disponível pelos métodos tradicionais.

Os dois exemplos introduzem uma consequência que vai além da redução de despesas. Se determinadas imagens se tornam mais baratas, produções menores passam a considerar cenas que anteriormente seriam eliminadas ainda no roteiro. Para um blockbuster de 200 milhões de dólares, reduzir o custo de uma sequência pode representar apenas eficiência financeira. Para um filme de poucos milhões, a mesma redução pode determinar se a sequência existirá.

ROSTOS, VOZES E INTERPRETAÇÕES

A utilização de IA torna-se mais controversa quando deixa cenários e efeitos e passa a interferir diretamente na imagem e na voz dos atores.

Em Here, dirigido por Robert Zemeckis, tecnologia desenvolvida pela empresa Metaphysic foi utilizada para mostrar Tom Hanks e outros integrantes do elenco em diferentes idades. Rejuvenescimento digital não é novidade no cinema, mas o processo tradicional costuma depender de um extenso trabalho de pós-produção realizado depois das filmagens. No filme de Zemeckis, os rostos transformados podiam ser visualizados ainda durante a realização das cenas, permitindo que diretor e atores avaliassem imediatamente o efeito.

Em O Brutalista, de Brady Corbet, a intervenção ocorreu na voz. Adrien Brody e Felicity Jones interpretam personagens húngaros, e uma tecnologia desenvolvida pela Respeecher foi utilizada na pós-produção para aperfeiçoar determinados fonemas da pronúncia. O sistema não criou as interpretações nem substituiu as vozes dos atores. A intenção foi preservar ritmo, emoção e características vocais enquanto pequenos elementos da pronúncia eram corrigidos.

Outra utilização ocorreu em Emilia Pérez, no qual ferramentas de processamento vocal ajudaram a combinar características de vozes durante passagens musicais. Esses casos mostram que a questão não se resume à possibilidade mais extrema de criar atores digitais. A IA pode penetrar na interpretação de maneira quase imperceptível, modificando aspectos específicos de uma performance que continua sendo essencialmente humana.

Essa capacidade também torna mais difícil estabelecer limites. Quanto mais sofisticada se torna a possibilidade de modificar rostos e vozes, maior é a necessidade de determinar quem pode autorizar essas alterações, durante quanto tempo uma imagem digital pode ser utilizada e de que maneira o profissional deve ser remunerado.

E SE A CENA NÃO FOR FILMADA?

Até aqui, a maior parte das aplicações profissionais de inteligência artificial parte de um processo cinematográfico reconhecível. Existe um filme sendo planejado ou rodado e a tecnologia ajuda a criar, alterar ou finalizar algum de seus elementos.

As ferramentas mais recentes de geração de vídeo introduzem uma possibilidade diferente.

Sistemas como Veo, desenvolvido pelo Google DeepMind, já conseguem produzir sequências audiovisuais a partir de instruções escritas e imagens de referência. O Flow, ferramenta do Google voltada à criação audiovisual, utiliza modelos como o Veo para permitir que o usuário desenvolva cenas, controle personagens e ambientes e experimente diferentes movimentos de câmera. As versões mais recentes também podem gerar áudio, incluindo diálogos, ruídos e outros elementos sonoros.

Na prática, isso significa que uma pessoa pode descrever uma situação, estabelecer referências visuais e obter um pequeno trecho no qual personagens se movimentam, a câmera percorre o ambiente e sons acompanham a ação, embora aquela cena nunca tenha existido diante de uma câmera.

A diferença em relação aos efeitos visuais tradicionais é considerável. Mesmo uma cena inteiramente criada por computação gráfica costuma ser construída por equipes que modelam objetos e personagens, animam seus movimentos, determinam iluminação, posicionam câmeras virtuais e integram os diferentes elementos. Nos sistemas generativos, parte significativa desse resultado pode surgir diretamente das instruções e referências fornecidas ao modelo.

Isso não equivale a produzir um longa-metragem. Os sistemas atuais ainda apresentam dificuldades de continuidade, consistência dos personagens e controle preciso sobre acontecimentos que precisam se desenvolver durante várias cenas. Uma imagem pode funcionar durante alguns segundos e apresentar problemas quando o personagem precisa permanecer exatamente o mesmo, usar a mesma roupa, ocupar um espaço coerente e continuar uma ação iniciada anteriormente.

A importância da tecnologia, entretanto, não depende de ela já conseguir realizar sozinha um filme de duas horas. Pela primeira vez, ferramentas acessíveis começam a reunir funções que antes estavam distribuídas por diferentes etapas da produção audiovisual.

UM PEQUENO ESTÚDIO DENTRO DO COMPUTADOR

É fora dos grandes estúdios que essa capacidade pode produzir seus efeitos mais rapidamente.

O YouTube incorporou ferramentas generativas ao Shorts e passou a oferecer recursos capazes de auxiliar também na montagem. Um sistema pode examinar o material gravado, selecionar trechos e preparar um primeiro corte, deixando para o criador as decisões posteriores de revisão e acabamento. Outras ferramentas permitem gerar diretamente imagens e pequenos vídeos.

Para uma produtora, automatizar uma etapa representa principalmente economia de tempo ou dinheiro. Para uma pessoa trabalhando sozinha, a consequência pode ser mais profunda porque recursos antes inacessíveis passam a estar disponíveis.

Uma sequência que exigiria locação, câmera, iluminação, figurino, atores e pós-produção pode, em determinadas circunstâncias, ser simulada em um computador. Um criador pode produzir imagens de lugares onde nunca esteve, personagens que não foram interpretados por atores e movimentos de câmera que não foram realizados por uma câmera física.

Isso não significa que uma pessoa diante de um computador tenha adquirido todas as competências de uma equipe cinematográfica. Escolher uma imagem, construir uma narrativa, dirigir uma interpretação e determinar ritmo continuam sendo decisões criativas. A facilidade de gerar material também pode produzir grandes quantidades de imagens tecnicamente impressionantes e artisticamente irrelevantes.

O que mudou é a relação entre recursos disponíveis e capacidade de produzir. A barreira econômica para criar determinados tipos de imagem começou a cair, e esse movimento pode ter consequências especialmente importantes para produtores independentes e pequenas empresas audiovisuais.

HOLLYWOOD ADOTA A TECNOLOGIA COM CAUTELA

A presença crescente da inteligência artificial pode transmitir a impressão de que Hollywood atravessa uma substituição acelerada de seus métodos de produção. Os dados disponíveis sugerem uma transformação mais cautelosa.

Uma projeção da consultoria Deloitte para 2025 estimava que os grandes estúdios destinariam menos de 3% de seus orçamentos de produção à inteligência artificial generativa. A adoção ocorreria inicialmente com maior intensidade em áreas como marketing, localização e dublagem e em funções específicas dentro da produção.

Os acontecimentos posteriores parecem confirmar parte dessa previsão. A Netflix utilizou IA generativa em El Eternauta. A Lionsgate estabeleceu parceria com a Runway. A Amazon MGM criou uma iniciativa voltada ao desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial para cinema e televisão. Nenhum desses movimentos representa o abandono do modelo tradicional de produção, mas todos indicam que a tecnologia começou a ser incorporada à estrutura dos estúdios.

A inteligência artificial, nesse sentido, entrou em Hollywood pelas bordas. Em vez de substituir de uma só vez atores, diretores ou equipes inteiras, começou realizando tarefas delimitadas: criando uma imagem preliminar, alterando um rosto, corrigindo uma pronúncia, ampliando uma multidão ou produzindo parte de um efeito visual.

Ao mesmo tempo, ferramentas como Flow e Veo mostram que existe uma segunda trajetória acontecendo fora desse processo incremental. Enquanto os estúdios incorporam IA a uma cadeia de produção já existente, sistemas generativos começam a demonstrar que algumas dessas etapas podem ser condensadas dentro da mesma ferramenta. As duas tendências ainda estão distantes de convergir completamente, mas a possibilidade ajuda a explicar por que a discussão desperta tanta atenção na indústria.

UMA DISCUSSÃO QUE CHEGOU AOS CONTRATOS DE TRABALHO

Talvez a demonstração mais concreta de que a questão deixou de ser apenas tecnológica esteja nas negociações trabalhistas de Hollywood.

A SAG-AFTRA, sindicato que representa atores e outros profissionais, estabeleceu regras para a criação e utilização de réplicas digitais, incluindo condições relacionadas a consentimento e remuneração. O Writers Guild of America negociou proteções relativas à inteligência artificial e ao eventual uso de obras para treinamento de sistemas generativos. A Directors Guild of America também incluiu a tecnologia entre os assuntos relevantes de suas negociações.

Nenhuma dessas medidas permite concluir que a inteligência artificial provocará uma eliminação maciça de empregos no audiovisual. Os efeitos sobre o mercado de trabalho ainda estão sendo medidos e provavelmente serão diferentes entre as diversas profissões.

As negociações demonstram, entretanto, que a indústria já reconhece conflitos concretos. Se uma réplica digital de um ator pode continuar sendo utilizada depois da filmagem, torna-se necessário definir quem controla aquela imagem. Se um sistema pode produzir textos a partir de grandes quantidades de obras anteriores, roteiristas querem saber em que condições seus trabalhos podem integrar o treinamento. Se partes do processo criativo passam a ser automatizadas, sindicatos precisam discutir quais atividades permanecem protegidas pelos contratos profissionais.

A regulamentação começa, assim, a ser construída enquanto a tecnologia continua avançando.

A ECONOMIA PODE MUDAR ANTES DA ESTÉTICA

Grande parte da discussão pública sobre inteligência artificial concentra-se na possibilidade de computadores criarem filmes completos. Os casos já documentados sugerem que outra transformação pode ocorrer antes disso.

Durante toda a história do cinema, aquilo que um diretor consegue colocar na tela depende também dos recursos disponíveis. Cenários, multidões, efeitos visuais, viagens, equipamentos e equipes têm custos que condicionam decisões artísticas. Muitas ideias não deixam de ser realizadas porque sejam tecnicamente impossíveis, mas porque não cabem no orçamento.

Se a inteligência artificial reduzir significativamente o custo de algumas dessas etapas, a primeira grande consequência pode ser econômica, e não estética. Produções de orçamento reduzido poderão adquirir recursos visuais antes restritos aos grandes estúdios, enquanto produções maiores poderão utilizar a mesma tecnologia para diminuir despesas ou ampliar sua escala.

A geração audiovisual amplia essa questão. Quando uma ferramenta começa a reunir criação de cenário, personagem, movimento, câmera e som, não está apenas acelerando uma tarefa existente. Está alterando a quantidade de infraestrutura necessária para produzir determinados minutos de audiovisual. Ainda não sabemos até que ponto essa capacidade poderá ser transportada dos pequenos vídeos atuais para narrativas longas e complexas, mas a direção da mudança já pode ser observada.

Esse processo contém uma contradição. Ferramentas generativas podem democratizar o acesso a determinados meios de produção ao mesmo tempo que dependem de modelos tecnológicos controlados por um número pequeno de grandes empresas. Podem ampliar as possibilidades de cineastas independentes e simultaneamente reduzir a necessidade de profissionais em determinadas funções. Podem permitir a realização de imagens antes inviáveis sem garantir que essas imagens produzam filmes melhores.

Também permanece uma diferença considerável entre eficiência e qualidade. Uma sequência realizada em menos tempo não é necessariamente superior àquela criada pelos métodos tradicionais. A capacidade de gerar uma cena a partir de algumas instruções não substitui automaticamente direção, dramaturgia, interpretação, montagem ou conhecimento cinematográfico.

Por isso, a imagem de um cineasta escrevendo algumas frases e recebendo pouco depois um longa-metragem pronto ainda não corresponde à realidade da produção profissional. O cenário atual é mais complexo. De um lado, ferramentas de inteligência artificial assumem parcelas específicas de um processo que continua envolvendo centenas de decisões humanas. De outro, sistemas como Flow e Veo começam a demonstrar que algumas dessas parcelas podem ser reunidas e que imagens e sons podem nascer sem passar pelo percurso tradicional de filmagem.

O desabamento produzido para El Eternauta talvez seja uma boa representação do primeiro movimento. Para o espectador, é apenas uma imagem dentro de uma série. Para a indústria, demonstra que uma cena considerada cara demais pode passar a caber no orçamento quando parte do processo produtivo é realizada de outra maneira.

Uma cena criada inteiramente dentro de um sistema generativo aponta para o movimento seguinte. Nesse caso, não se trata apenas de encontrar uma forma mais rápida de produzir uma imagem que seria realizada pelos métodos conhecidos. Parte do próprio caminho entre imaginar a cena e transformá-la em audiovisual começa a ser redesenhada.

A discussão, portanto, já não é sobre quando a inteligência artificial chegará ao cinema. Ela chegou, ainda de maneira fragmentada, desigual e com limitações importantes. A questão agora é saber o que ocorrerá quando aquilo que hoje aparece em experiências isoladas se tornar parte habitual do processo de produção.

O que acontece com o cinema quando partes cada vez maiores de um filme podem ser produzidas de outra maneira?

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