Assisti ‘Bingo – O Rei das Manhãs’ depois de toda a estréia
e divulgação do filme, estava por dentro do hype em torno dele, de uma possível
indicação ao Oscar de Filme Estrangeiro e de todo os elogios á atuação de
Vladimir Brichta no papel.
Na minha opinião o melhor filme brasileiro dos ultimos 10
anos se assim posso dizer.
O palhaço Bozo fez parte da minha infância, apesar de acompanhá-lo já na terceira encarnação, com o apresentador Luís Ricardo, gostava do programa, da Vovó Mafalda, do Papai Papudo, do Bozolino, gostava do desenho do Bozo que passava no programa juntamente com outros desenhos. Nos Domingos ao Meio-Dia vinha o Programa Silvio Santos e na abertura além vários jurados como Flor, Sérgio Mallandro, Décio Pitinini, Pedro de Lara, também tnha o Bozo.
O Bozo fez parte da história da Televisão Brasileira,
atingindo uma popularidade igual á dos Trapalhões, Beto Rockfeller, Roque
Santeiro e Odete Roittman, sempre vai ficar marcado.
Já o filme é algo soberbo, o diretor Daniel Rezende soube
nos contar uma história de cabo e a rabo, sem furos e direto. Tudo no filme
estava perfeito, desde as vestimentas da época, na década de 80, aos cenários,
carros, acervos, a dreção de arte do filme foi muito bem feita e produzida.
A história está bem contada com todos os detalhes polêmicos
e relevantes que fizeram parte do programa Bozo enquanto Arlindo Barreto era o
palhaço.
Todos esses detalhes no filme são verídicos, a criança que
foi zoada ao vivo, o vai tomar no C$%& que falaram no telefone ao vivo de
manhã para todas as crianças ouvirem (hoje algo tão banalizado), todas as
tirações que o Bozo fazia no programa com quem ligavam pra ele, a gretchen que
rebolava e mostrava os fundos em um programa infantil...
Vladimir Brichta em minha opinião está impecável no papel,
acabei gostando mais dele interpretando o Bingo do que como Augusto Mendes.
Como Bingo Vladimir sumiu dentro do personagem criando sua própria versão do
Bingo, é como se ali o personagem ganhasse vida própria e não fizesse parte do
filme, é como se fosse algo real, sem invenção e atuação... melhor papel de
Vladimir até hoje, contando todas as suas novelas.
Leandra Leal como sempre dando um show de competência, já
sou fã dela há muito tempo desde o antigo Confissões de Adolescente e O Cravo e
a Rosa.
Emanuelle Araújo aparece pouco como Gretchen mas sua atuação
como a cantora é tão boa, tão sensata, o que ela deve ter estudado de vídeos e
performances da Gretchen, além de possivelmente ter conversado com a própria,
sempre admiro artistas que se doam ao personagem e fazem todo um trabalho de
pesquisa, mesmo seu personagem sendo pouco utilizado nos filmes. Sem falar que
também já sou fã da Emanuelle desde os tempos que ela substituiu a Ivete
Sangalo na ‘Banda Eva’ e posteriormente criou o grupo ‘Moinho’ junto com a Lan Lan
ex-percussionista de Cássia Eller (fora as novelas que ela faz na Globo).
Destaco também Ana Lúcia Torre, atriz de imenso talento que
fez a mãe de Augusto Mendes no filme e Cauã Martins, que fez o fileho de
Augusto no filme, e ele se saiu muito bem.
Minha única resalva com o filme foi sua parte final, quem
pesquisar sobre Arlindo sabe que ele se converteu á igreja evangélica depois de
chegar ao fundo do poço com as drogas e bebidas e ajudado por sua esposa que
também é evangélica (personagem de Leandra Leal no filme). Ele encontrou seu
caminho e passou a pregar vestido de Palhaço Bozo pelo Brasil. Isso foi sua
opção de vida, sua salvação, um caminho que ele escolheu trilhar, um caminho
que Deus Põs em sua vida.
No filme, fica claramente nítido que o diretor Daniel
Resende escolheu terminar o filme com Augusto Mendes se convertendo não só para
se salvar, mas como uma forma de ter um palco para se apresentar com seu maior
sucesso, O Bingo, chegando á conclusão de que tudo que ele precisa para viver é
um palco, não importa onde seja, ele precisa de holofotes para brilhar. Na
minha opinião, foi uma bola fora, pois apesar de ser um filme e o principal
objetivo de um filme é entreter e emocionar o público, Bingo – O Rei das
Manhãs, é um filme baseado em uma história real, que vinha seguindo essa
premissa fielmente durante todos os seus 110 minutos até chegar á sua conclusão
e usar de um artíficio ficcional para dar um fim á trajetória e Augusto.
Seria muito mais correto e digno, respeitar o motivo
principal de Augusto se converter e escolher pregar travestido de Bingo, como
foi na vida real de Arlindo. Mesmo assim o final do filme não tira o mérito do
trabalho feito por Daniel Rezende, já em seu primeiro filme, enchendo de
orgulho cinéfilos como eu que não dão bola para o cinema brasileiro e seus
“blockbusters” xaropes com a intenção de apenas encher o bolso de dinheiro,
como os sem-graças e sem talentos Ingrid Guimarães, Leandro Hassum, entre
outros insuportáveis.