— “Dear diary. My teen angst bullshit has a body count.”
Revendo um dos meus filmes de conforto favoritos apesar de caótico, sou suspeita pra falar já que sou muito fã do musical. O filme de 1989 faz uma crítica usando uma escola como uma metáfora para a America (EUA), e como as relações de poder, a popularidade, a violência e a necessidade de se encaixar são importantes pra mostrar como a sociedade pode normalizar atos extremos e absurdos quando apresentados por pessoas influentes.
Heathers também foi inspiração para Screen Queens e Meninas Malvadas, que também retrata um ato absurdo de alguém popular e influente (Regina George) que vira trend entre os outros estudantes.
— “The only place different social types can genuinely get along with each other is in heaven.”
A escola Westerburg não é só onde eles estudam. Ela representa uma estrutura social controlada por uma hierarquia de pessoas que possuem mais poder, como uma divisão de tipos sociais, algumas com mais popularidade e autoridade do que as outras, que no caso, são as Heathers, o que é outra crítica. O poder não precisa ser exercido por uma autoridade oficial para controlar a sociedade. Isso pode acontecer por meio de pessoas socialmente mais visíveis e com altas reputações.
Então não, esse filme não fala só de meninas que são malvadas e populares, mas sim sobre uma sociedade escolar que se submete ao controle das Heathers porque acreditam que popularidade significa autoridade e valor. Os alunos não são fisicamente obrigados à aceitar o poder delas, mas contraria-las custaria sua posição social.
— People are gonna look at the ashes of Westerburg and say “Now there is a school that self-destructed” not because society didn’t care, but because the school was society.”
Além disso Heathers também fala através do seu humor sombrio sobre a rotulação, e os papéis sociais impostos pelo coletivo, onde cada um tem a sua categoria: a excluída, a popular, o nerd, o atleta…
A partir do momento que alguém passa a ser visto como apenas um rótulo e não uma pessoa com múltiplas características, fica mais fácil ignorar o sofrimento ou justificar seu papel.
Também gosto de como esse filme usa as cores para falar sobre a personalidade de cada uma das Heathers. A Heather Chandler usa vermelho, indicando poder. (que também é a única que realmente tem esse nome, sem ser rebatizada como Heather para entrar no grupo) A Heather Duke usa verde que remete à inveja, e a McNamara amarelo, que remete à covardia ou fraqueza emocional.
— “I just killed my best friend!”
— “And your worst enemy.”
— “Same difference.”
E um bônus é que esse é um dos filmes com mais frases destacáveis que já assisti, diretores clássicos chorariam sabendo que nunca escreviam um filme tendo um monólogo com a frase — “I love my dead gay son”