Com uma
história sobre inveja e vingança, Campion leva o espectador às profundezas mais
obscuras da vida no Velho Oeste, apresentando sua visão de masculinidade
opressiva e sentimentos reprimidos. A obra traz um tratamento delicado aos
perfis dos personagens e uma ambivalência sutil, que nos reserva surpresas
inesperadas.
Benedict
Cumberbatch entrega um dos seus melhores desempenhos com um personagem hostil,
porém reprimido; ele está irreconhecível e convincente, e seu desenvolvimento
nos faz compreendê-lo melhor e ter empatia. Kirsten Dunst, por sua vez, é uma
ótima força de apoio com seu papel de mulher solitária e oprimida.
Com o
ritmo do filme mais lento e apoiado por uma belíssima construção de design de
produção, é impossível se desligar da tela. A trilha sonora consegue torná-lo
muito tenso, em perfeita sintonia com a fotografia, que mostra desde os planos
imponentes da paisagem até a natureza gráfica e crua do abate animal, além da
própria linguagem corporal dos personagens, que diz muito visualmente.
Longe de ser um faroeste convencional, Ataque dos Cães triunfa como um suspense psicológico refinado e hipnótico. Com uma direção cirúrgica de Jane Campion, o longa prende a atenção do início ao fim, transformando o silêncio e o desconforto em uma narrativa visualmente deslumbrante e emocionalmente avassaladora.