As cores do tempo (2025)







Sabe aquele filme que parece um abraço morno e ao mesmo tempo, te dá um chacoalhão sobre como estamos vivendo depressa demais? É exatamente essa a sensação ao assistir As Cores do Tempo, o novo trabalho do Cédric Klapisch.

Nesse novo drama o diretor francês brinca com o tempo ao criar uma história que se divide entre a calmaria de 1895 e a correria caótica dos nossos dias. O ponto de encontro dessas duas realidades é um casarão antigo e charmoso na Normandia. Quatro primos distantes, que mal se conhecem, herdam a propriedade e descobrem que ela está na mira de uma grande construtora, que quer derrubar tudo para fazer o estacionamento de um shopping. Só que, ao revirarem os cômodos, eles encontram diários, segredos de família e um quadro misterioso de uma antepassada chamada Adèle.

O que mais brilha no filme é o visual. A fotografia é linda e não precisa de nenhum filtro forçado para nos fazer viajar no tempo. O passado é filmado com calma, os planos demoram mais na tela, lembrando quase uma pintura de Monet. Já o presente é todo picotado, rápido, com o ritmo frenético de quem vive rolando a tela do celular. Logo no início uma cena provocativa resume perfeitamente essa descritiva: o protagonista Seb fica indignado quando sugerem mudar digitalmente a cor de uma tela histórica só para combinar com o look da namorada numa foto do Instagram. É o choque puro entre o que é eterno e o que é descartável.

Talvez seu único deslize seja tentar abraçar o mundo. Com tanta subtrama romântica e brigas de família, os primos Celine, Abdelkrim e Guy, que são ótimos personagens, terminam um pouco superficiais. Temas profundos, como a luta de Adèle para ser uma mulher independente no século XIX, mereciam um pouco mais de tempo para respirar e nos emocionar de verdade.

Ainda assim, esses tropeços não tiram o encanto da obra. As Cores do Tempo é um filme delicioso e cheio de afeto. As transições entre os séculos são tão naturais que a gente nem sente o tempo passar. É uma daquelas pequenas joias poéticas que nos lembram de desacelerar e no fim das contas, gera um belo recado simples e bonito: para entender a bagunça do nosso presente, a gente precisa aprender a parar e admirar o que veio antes de nós.