A história acompanha Kris (Hannah Einbinder), uma jovem cineasta que assume a missão de comandar o reboot de Camp Miasma, uma franquia decadente e polêmica dos anos 80. Para isso, ela decide escalar a antiga final girl do primeiro filme, Billy Presley (Gillian Anderson). Em vez de cair na armadilha da cópia barata ou do fan service vazio, o roteiro surpreende. Schoenbrun pega a fórmula batida dos psicopatas em acampamentos e faz uma verdadeira autópsia cultural. Se nos anos 80 aqueles corpos eram só carne descartável e punição pelo desejo, aqui eles viram um espelho das nossas próprias repressões. Sobreviver na tela deixa de ser apenas um jogo de gato e rato e vira uma busca dolorosa para aceitar quem você é.
Logo, para haver renovação, as velhas estruturas precisam ser destruídas. As mortes no acampamento funcionam como uma metáfora pesada sobre o fim da inocência e a quebra de identidades que nos impõem. Quando o terror e o desejo se misturam, as personagens encontram uma intimidade crua que só o medo de morrer consegue arrancar.
No fim das contas, Acampamento Miasma transforma a clássica carnificina de verão em uma jornada profunda sobre identidade e renovação. É um dos filmes mais originais do terror atual, mostrando que o gênero pode sim divertir e fazer pensar ao mesmo tempo. Ao equilibrar o grotesco e o sublime, Jane Schoenbrun entrega uma obra perturbadora que mexe com a cabeça do público muito depois dos créditos finais.