A Cor Púrpura (1985)





Um dos filmes de maior prestígio com conteúdo sério de Steven Spielberg, com uma história emocionante, intensa e magistral diante da qual as lágrimas não podem ser evitadas ao narrar uma vida melodramática, em que os sentimentos fundamentais do ser humano se mostram crus.

A Cor Púrpura é um drama humano que descreve as dificuldades vividas pela protagonista (interpretada encantadoramente por Whoopi Goldberg) e as pessoas ao seu redor. Não tendo personagem na trama que não sofra, o arrebatamento da inocência, o poder dominante do homem sobre a mulher e a redenção andam de mãos dadas neste drama intenso. Além de possuir alguns toques religiosos pois aqui a justiça não é humana, mas divina, e a única coisa a fazer é confiar e esperar que ela irá acontecer quando for apropriado.

Tendo com muita justiça, rotular esta belíssima obra de um mero melodrama racial, porque não é, mas sim um conto profundamente feminista com aprofundamentos à condição humana como poucos filmes já feitos por seu realizador, e como nenhum outro na condição feminina, sendo na sua fragilidade, na sua força e na eterna luta pela dignidade que uma mulher que deve empreender todos os dias e que, infelizmente, muitas vezes pisoteada pela crueldade e indiferença dos homens.

A Cor Púrpura é um grande drama épico e merece todo o respeito por ser emocionante e intenso ao mesmo tempo. Auxiliado pela excelente e colorida fotografia de Allen Daviau que anima as cores de uma forma incrível conseguindo um filme precioso, tornando-se uma obra emotiva que o coloca ao nível dos grandes dramas clássicos e onde Spielberg demonstrou os seus excelentes conhecimentos cinematográficos ao realizar um filme diferente do que tinha feito anteriormente.