Todo dia primeiro de cada mês o Prime Video renova parte do catálogo com estreias ou reestreias. Esta edição do Vale o Play reúne sete filmes que chegaram agora à plataforma e que passaram pelo crivo da curadoria da Filmoteca: qualidade inconteste, diversidade de gênero e pelo menos uma razão precisa para assistir agora.

A lista vai de 1957 a 2005. Tem drama de tribunal, guerra, comédia romântica, filme cult, thriller psicológico e dois dramas baseados em histórias reais. O único critério comum é que todos valem o play.



A análise completa de cada filme está no Crítica Livre de Cinema.



12 Homens e uma Sentença (1957) — Sidney Lumet

11 homens queriam condenar. 1 pediu para pensar melhor. O que aconteceu depois é o filme.

Sidney Lumet dirigiu 12 Homens e uma Sentença com 33 anos, em seu primeiro longa-metragem, com um orçamento de 340 mil dólares e 17 dias de filmagem. O filme foi rodado quase inteiramente numa única sala, com um elenco de 12 atores sem estrelas de primeira linha, e recebeu três indicações ao Oscar incluindo Melhor Filme. Perdeu para A Ponte do Rio Kwai. Está no top 5 do IMDB há décadas.

O que torna 12 Homens e uma Sentença extraordinário não é o argumento jurídico mas o argumento humano: um único homem, interpretado por Henry Fonda, que decide que a dúvida razoável merece pelo menos uma conversa antes de enviar alguém para a morte. O que Lumet filma ao longo de 96 minutos é o que acontece quando esse homem se recusa a ceder à pressão coletiva, e cada um dos outros 11 jurados vai revelando os preconceitos, as pressões e as histórias pessoais que estão por trás do voto de cada um.

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Platoon (1986) — Oliver Stone

Oliver Stone foi para o Vietnã. Voltou. Esperou dez anos. Então filmou.

Oliver Stone serviu no Vietnã de 1967 a 1968, período que o filme retrata. Platoon não é uma adaptação nem uma reconstituição baseada em pesquisa: é uma memória filmada por quem viveu o que está mostrando, o que o distingue de qualquer outro filme de guerra americano sobre o conflito.

O filme venceu o Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção em 1987 e foi o primeiro filme sobre o Vietnã a ser reconhecido pela Academia. Willem Dafoe como o sargento Elias e Tom Berenger como o sargento Barnes são dois dos personagens mais bem construídos do cinema americano dos anos 1980, representando dois modelos de sobrevivência moral num ambiente que destrói a moral sistematicamente. Charlie Sheen como o soldado novato Chris Taylor é o ponto de vista do espectador: alguém que chegou com ideias sobre guerra e que vai perdendo cada uma delas.

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Quatro Casamentos e Um Funeral (1994) — Mike Newell

Charles foi a quatro casamentos sem se casar. Foi a um funeral sem esperar. Em algum ponto entre os dois entendeu o que queria.

Richard Curtis escreveu o roteiro em três semanas. O orçamento foi de 3 milhões de libras. O filme tornou-se o maior sucesso de bilheteria britânico da história até aquele momento, arrecadando 245 milhões de dólares mundialmente, e recebeu indicações ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. Hugh Grant ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia.

O que Quatro Casamentos e Um Funeral fez foi redefinir a comédia romântica britânica: menos açúcar, mais ironia, personagens que são inteligentes o suficiente para saber que estão se comportando de forma idiota e que fazem isso assim mesmo. O funeral do título não é um recurso narrativo mas o momento mais honesto do filme, onde Curtis diz algo sobre amor e perda que as quatro comédias ao redor não conseguiriam dizer.

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Priscilla, Rainha do Deserto (1994) — Stephan Elliott

Dois drag queens e uma mulher trans atravessam o deserto australiano num ônibus. O que encontram não é o que esperavam.

Stephan Elliott dirigiu Priscilla com orçamento de 2,5 milhões de dólares australianos e um ônibus pintado de rosa que se tornou um dos objetos mais icônicos do cinema australiano dos anos 1990. O filme venceu o Oscar de Melhor Figurino e foi o responsável pelo lançamento internacional das carreiras de Guy Pearce e Hugo Weaving, além de ser um dos últimos grandes papéis de Terence Stamp antes da aposentadoria parcial.

Priscilla é simultaneamente um road movie, uma comédia e um filme sobre identidade e aceitação. O deserto australiano como cenário não é escolha aleatória: é o espaço mais vasto e mais indiferente possível para uma jornada de três pessoas que o mundo ao redor frequentemente não sabe como olhar. O que Elliott filma é o que acontece quando esse mundo indiferente encontra algo que não esperava e que não consegue ignorar.

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Os Últimos Passos de um Homem (1995) — Tim Robbins

Matthew Poncelet vai ser executado. A irmã Helen decidiu que ele não vai morrer sozinho.

Tim Robbins adaptou e dirigiu Os Últimos Passos de um Homem a partir do livro de memórias da irmã Helen Prejean, religiosa que acompanhou condenados à morte no corredor da morte da Louisiana. Susan Sarandon ganhou o Oscar de Melhor Atriz pela performance de Helen Prejean e Sean Penn foi indicado ao Oscar de Melhor Ator por Matthew Poncelet.

O que Robbins recusa fazer é o que torna o filme extraordinário: não toma partido sobre a pena de morte de forma declarada. Mostra Matthew Poncelet com todos os seus defeitos e com toda a sua humanidade simultaneamente, e mostra as famílias das vítimas com a mesma atenção. O espectador sai do filme tendo pensado sobre pena de morte de uma forma que nenhum argumento político conseguiria produzir, porque Robbins filmou pessoas reais em situações reais sem simplificar nenhuma delas.

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Capote (2005) — Bennett Miller

Truman Capote passou seis anos escrevendo A Sangue Frio. O livro foi um sucesso extraordinário. Capote nunca mais escreveu nada.

Bennett Miller dirigiu Capote com 38 anos, em seu primeiro longa-metragem, com um orçamento de 7 milhões de dólares. Philip Seymour Hoffman ganhou o Oscar de Melhor Ator pela performance de Truman Capote, considerada pela crítica como a mais tecnicamente precisa da carreira de Hoffman: a voz, a gestualidade, o sotaque específico de Capote foram construídos ao longo de meses de preparação.

O argumento central do filme não está no crime que Capote investigou mas no que a investigação fez com ele. Capote construiu uma relação com Perry Smith, um dos assassinos, que o livro precisava e que o destruiu: ele passou seis anos próximo a uma pessoa que ia executar, e quando a execução aconteceu o livro estava pronto mas Capote estava partido. A Sangue Frio foi publicado em 1966. Capote morreu em 1984 sem ter publicado outro livro completo.

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Louca Obsessão (1990) — Rob Reiner

Paul Sheldon sobreviveu ao acidente. O problema é quem o encontrou.

Stephen King publicou Misery em 1987 e Rob Reiner adaptou o romance três anos depois com um roteiro de William Goldman. Kathy Bates ganhou o Oscar de Melhor Atriz por Annie Wilkes, personagem que a crítica frequentemente cita como uma das vilãs mais memoráveis do cinema americano. James Caan interpreta Paul Sheldon, o escritor que sobrevive a um acidente de carro e acorda numa casa remota cuidado pela sua "maior fã".

O que torna Louca Obsessão extraordinário dentro do gênero thriller é a escolha de Reiner de filmar quase tudo num único quarto: a tensão não vem de perseguição ou de ação mas da relação entre dois personagens num espaço fechado onde o poder muda de mãos de formas que nenhum dos dois completamente controla. Kathy Bates constrói Annie Wilkes não como monstro mas como pessoa, o que é a escolha mais perturbadora possível: Annie acredita genuinamente em tudo o que faz.

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