Denzel Washington tem dois Oscars de Melhor Ator. É o único ator negro a vencer o prêmio duas vezes na história da Academia. O segundo veio por Training Day em 2002, quarenta anos depois de Sidney Poitier ter vencido o primeiro Oscar de Melhor Ator para um ator negro em 1963. Quarenta anos entre os dois únicos atores negros a vencer a categoria. O dado diz algo sobre Hollywood que Washington nunca precisou dizer em voz alta.

O que Washington fez nesse intervalo foi construir uma carreira que Hollywood não sabia muito bem como classificar. Não era o ator de filmes de ação que o estúdio queria transformá-lo. Não era o porta-voz do cinema político que alguns esperavam. Não era o galã que a indústria tentou fazer dele nos anos 1990. Era as três coisas e nenhuma delas completamente, e essa recusa de se encaixar numa categoria é o que torna a carreira extraordinária.

Em quatro décadas interpretou um soldado rebelde na Guerra Civil, um ativista assassinado pelo governo americano, um advogado morrendo de AIDS, um boxeador preso injustamente por vinte anos, um detetive corrupto que usa o crime para combater o crime, um negociador numa guerra de inteligência com um ladrão mais esperto do que ele, e um pai grandioso e autodestrutivo numa peça de August Wilson. Em cada um desses personagens estava presente algo que o cinema americano raramente consegue sustentar: a complexidade moral de uma pessoa real que não pode ser reduzida a herói ou vilão.

A YouGov colocou Washington entre os cinco atores mais queridos do mundo em 2026. Não o mais jovem, não o mais atual, não o de maior bilheteria recente. O mais querido. Há uma diferença entre os três que a carreira de Washington ilustra melhor do que qualquer análise poderia.

Esta curadoria reúne 7 filmes escolhidos por um critério único: cada um mostra uma dimensão diferente do que Washington pode fazer quando o papel é à altura do talento. São filmes de gêneros completamente diferentes, de épocas diferentes, com diretores diferentes. O que têm em comum é ele.

A análise completa de cada filme está no Crítica Livre de Cinema.



Tempo de Glória (1989) - Edward Zwick

Trip não queria ser herói. Queria ser livre. A diferença custou tudo.

Glory foi o filme que revelou Washington como fenômeno. Primeiro Oscar, Melhor Ator Coadjuvante. O soldado ex-escravo que carrega raiva, dignidade e dor no mesmo corpo, que semeia o caos no regimento e que ainda assim é o único que vê as coisas como realmente são.

A análise completa e onde assistir está no CRÍTICA LIVRE DE CINEMA <== clique




Malcolm X (1992) - Spike Lee

Malcolm Little virou Malcolm X virou El-Hajj Malik El-Shabazz. Três homens num. Washington interpretou os três.

Três horas e vinte minutos como Malcolm X, com Washington em cena praticamente o tempo todo. O maior desafio técnico da carreira e a performance que Spike Lee passou uma década preparando. Indicação ao Oscar de Melhor Ator.

A análise completa e onde assistir está no CRÍTICA LIVRE DE CINEMA <== clique




Filadélfia (1993) - Jonathan Demme

Joe Miller aceitou o caso pelo dinheiro. O que encontrou mudou o que ele achava que sabia sobre o mundo.

Co-estrela de Tom Hanks no primeiro grande filme americano sobre a epidemia de AIDS. Washington como o advogado homofóbico que muda de posição ao longo do processo. O personagem mais complexo moralmente da lista e o único que não é o protagonista mas que carrega o argumento moral do filme.

A análise completa onde assistir está no CRÍTICA LIVRE DE CINEMA <== clique




Hurricane, o Furacão (1999) - Norman Jewison

Rubin Carter passou vinte anos preso por um crime que não cometeu. O que o libertou não foi a Justiça.

História real de injustiça racial, prisão injusta e redenção improvável. Washington recebeu indicação ao Oscar e Roger Ebert descreveu a performance como no mesmo nível de Malcolm X. Um dos filmes mais emocionalmente devastadores da carreira.

A análise completa e onde assistir está no CRÍTICA LIVRE DE CINEMA <== clique




Dia de Treinamento (2001) - Antoine Fuqua

Alonzo Harris conhecia todas as regras. Usava todas para quebrá-las.

Segundo Oscar, Melhor Ator. O único vilão da carreira de Washington e uma das performances mais perturbadoras do cinema americano dos anos 2000. Alonzo Harris é corrupto, carismático e completamente convicto de que o que faz é necessário. Washington nunca mais interpretou um personagem assim.

A análise completa e onde assistir está no CRÍTICA LIVRE DE CINEMA <== clique





O Plano Perfeito (2006) - Spike Lee

Um ladrão que planejou o roubo perfeito. Um detetive que descobriu tarde demais que estava sendo usado.

RT 86%. Arrecadou 186 milhões mundialmente. Washington e Spike Lee no thriller mais acessível e mais inteligente da parceria. Com Clive Owen, Jodie Foster e Willem Dafoe. O filme que prova que Washington pode fazer gênero popular sem abrir mão da qualidade.

A análise completa e onde assistir está no CRÍTICA LIVRE DE CINEMA <== clique




Um Limite Entre Nós (2016) - Denzel Washington

Troy Maxson tinha histórias para contar, whisky para beber e uma vida inteira de ressentimentos para distribuir. Washington dirigiu e atuou. Viola Davis ganhou o Oscar.

Washington adapta August Wilson para o cinema e entrega a performance mais shakespeariana da carreira. Troy é grandioso e autodestrutivo, generoso e cruel, e Washington sustenta essa contradição do início ao fim com uma presença que o teatro havia construído e o cinema finalmente registrou.

A análise completa e onde assistir está no CRÍTICA LIVRE DE CINEMA <== clique