A Netflix tem um problema conhecido: catálogo imenso, curadoria quase inexistente. O algoritmo empurra o que é novo, o que é popular e o que foi produzido pela própria plataforma. O que sobra nas margens, sem empurrão e sem campanha, é frequentemente o melhor que a plataforma tem. Esta primeira edição do Vale o Play reúne sete filmes que estão na Netflix Brasil agora e que merecem mais atenção do que o algoritmo vai dar a eles. Vêm de Taiwan, Coreia, Japão, Tailândia, Espanha e Estados Unidos. Têm em comum a qualidade que o streaming raramente destaca: a de filmes que ficam depois que acabam.













A Garota Canhota (2025) — Shih-Ching Tsou


Uma mãe retorna a Taipé com as duas filhas para abrir uma barraca num mercado noturno. O avô conservador proíbe a caçula de usar a mão esquerda. Coescrito com Sean Baker e filmado em iPhone com a estética intimista que define o melhor do cinema asiático contemporâneo. 98% no Rotten Tomatoes. Um dos filmes mais delicados do ano.









Vidas Passadas (2023) — Celine Song

Dois amigos de infância coreanos separados pela emigração se reencontram duas décadas depois em Nova York. Entre eles, o marido americano de Nora e a pergunta sobre o que fica quando duas pessoas que poderiam ter sido tudo uma <== cliquepara a outra escolheram vidas diferentes. Uma das estreias de direção mais precisas do cinema americano recente.










Dias Perfeitos (2023) — Wim Wenders


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Hirayama limpa banheiros públicos em Tóquio, ouve cassetes no carro e fotografa árvores. Wim Wenders filmou a vida mais simples possível com uma atenção que transforma cada rotina num argumento sobre presença. Koji Yakusho ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes. Um filme que você sai assistindo mais devagar.









Sonhos de Trem (2025) — Andrew Haigh

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Um trabalhador das ferrovias americanas no início do século XX perde a família num incêndio e passa décadas sozinho na floresta. Andrew Haigh, diretor de Fim de Semana e Tudo que Queremos, filmou o luto e o isolamento com uma beleza que não ameniza o peso do que está contando. Joel Edgerton numa das melhores performances do ano.








Como Ganhar Milhões Antes que a Vovó Morra (2024) — Pat Boonnitipat

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Um neto interesseiro decide cuidar da avó doente para garantir a herança. O que encontra é outra coisa completamente. O filme tailandês mais visto da história, único do país a chegar à shortlist do Oscar, e um dos retratos mais honestos sobre família e finitude que o cinema asiático produziu nos últimos anos. Prepare o coração.





Dúvida (2008) — John Patrick Shanley

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Uma freira rígida suspeita que um padre popular esteja abusando de um aluno. Sem prova, sem certeza, sem conforto. Shanley adaptou sua peça vencedora do Pulitzer com Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams e Viola Davis em quatro das melhores atuações do cinema americano dos anos 2000. O filme não resolve. É esse o ponto.






O Vazio do Domingo (2017) — Ramón Salazar

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Chiara encontra a mãe que a abandonou na infância e propõe que passem dez dias juntas numa casa isolada nas montanhas entre Espanha e França. O que se segue são dez dias de silêncio, tensão e o que duas pessoas fazem quando não há mais como evitar o que nunca foi dito. Cinema espanhol de câmara no seu melhor.