A HBO Max tem um catálogo que vai muito além das séries que todo mundo está assistindo. Escondidos entre os lançamentos e as produções próprias estão filmes que passaram pelo Brasil sem fazer o barulho que mereciam — alguns por questão de timing, outros porque o mercado não estava preparado, outros simplesmente porque o algoritmo não os empurrou para a sua tela.

Esta edição reúne sete filmes da HBO Max que você provavelmente deixou passar. Não deveria ter deixado. Todos ficam depois que acabam.




Zodíaco (2007) - David Fincher

O melhor filme de Fincher. Falhou nas bilheterias. O tempo corrigiu o erro.

O caso que ninguém fecha

Zodíaco não é um thriller de serial killer no sentido convencional. É um filme sobre obsessão, sobre o que acontece com as pessoas que dedicam anos de vida a um problema que não tem solução. Em 2007 fracassou nas bilheterias e foi ignorado pelo Oscar. Hoje é considerado por críticos e cineastas como o melhor filme de David Fincher, e a história do Zodiac Killer como o caso que o tempo não fechou. Com Jake Gyllenhaal, Robert Downey Jr. e Mark Ruffalo.

Por que você deveria ter visto

Porque Fincher filmou a obsessão com a mesma obsessão do seu protagonista, e o resultado é um filme que você assiste duas vezes: uma para a história, outra para perceber o que estava sendo feito enquanto a história acontecia. 2h37min que passam como um thriller de 90 minutos.

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Magnólia (1999) - Paul Thomas Anderson

9 histórias. 3 horas. Um filme que divide e que ninguém esquece.

O que Paul Thomas Anderson fez antes de There Will Be Blood

San Fernando Valley, um dia. Nove histórias que não deveriam se cruzar e que se cruzam. Um pai moribundo que abandonou o filho. Um filho que virou guru de sedução. Um ex-campeão mirim de quiz que envelheceu mal. Uma enfermeira que aprendeu a escutar. Magnólia é o filme mais ambicioso de Paul Thomas Anderson e o mais divisivo: quem cede ao ritmo sai transformado. Quem resiste sai irritado. Tom Cruise entrega a melhor performance da carreira.

Por que você deveria ter visto

Porque é um dos poucos filmes que usa 3 horas de duração como argumento, não como excesso. E porque a chuva de sapos não é o que você pensa que é.

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Nove Rainhas (2000) - Fabián Bielinsky

O melhor thriller argentino já feito. Praticamente desconhecido no Brasil.

Buenos Aires como palco de um golpe perfeito

Dois golpistas se encontram por acaso numa manhã em Buenos Aires e decidem trabalhar juntos por um dia. O maior golpe que aparece envolve uma coleção rara de selos argentinos, uma janela de tempo curta e uma quantidade de coisas que podem dar errado. Fabián Bielinsky morreu antes de fazer um terceiro filme. Nove Rainhas e O Aura são tudo que ficou.

Por que você deveria ter visto

Porque é um filme que vai te enganar de um jeito que você vai gostar de ter sido enganado. E porque o cinema latino-americano produziu poucos thrillers neste nível.

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Judas e o Messias Negro (2021) - Shaka King

Fred Hampton tinha 21 anos quando o FBI decidiu que ele era perigoso demais para continuar vivo.

A história que Hollywood demorou para contar

Bill O'Neal era um ladrão de carros que foi recrutado pelo FBI para se infiltrar no Partido dos Panteras Negras e aproximar o agente de Fred Hampton, presidente da seção de Chicago. Hampton tinha 21 anos, era orador extraordinário e estava construindo uma coalizão multiétnica que assustava o governo federal. O que aconteceu em 4 de dezembro de 1969 é história americana. Daniel Kaluuya ganhou o Oscar de coadjuvante. O filme ficou menor do que deveria ter sido no Brasil.

Por que você deveria ter visto

Porque Fred Hampton é uma das figuras mais importantes da história americana recente e porque Kaluuya entrega uma das performances mais magnéticas dos últimos anos.

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 Pequena Mamãe (2021) — Céline Sciamma

1 hora e 13 minutos. Céline Sciamma. Precisa de mais alguma coisa?

A diretora de Retrato de uma Jovem em Chamas fez algo completamente diferente

Uma menina de 8 anos vai com os pais arrumar a casa da avó que acabou de morrer. Na floresta atrás da casa, encontra outra menina da mesma idade construindo uma cabana. As duas viram amigas. O que Sciamma faz com essa premissa simples é o que a separa de praticamente qualquer outro cineasta trabalhando hoje: ela filma a infância como os filmes raramente filmam, com respeito total pela inteligência emocional das crianças.

Por que você deveria ter visto

Porque é um dos filmes mais bonitos sobre luto e sobre o tempo que o cinema produziu nos últimos anos. E porque 1h13min é o tempo certo para o que Sciamma quer dizer.

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Marcas da Violência (2005) — David Cronenberg

Parece um filme simples. É um dos mais perturbadores da década.

O que está por baixo da superfície

Tom Stall tem uma lanchonete numa cidade pequena de Indiana, uma família feliz e uma vida sem complicações. Quando dois criminosos invadem o estabelecimento, Tom os mata com uma eficiência que surpreende todo mundo, inclusive ele mesmo. A partir daí, um homem de Filadelfia começa a aparecer dizendo que conhece Tom de outro lugar. Cronenberg usa esse ponto de partida para examinar a violência como herança americana — o que está inscrito na cultura, na família e nos corpos que a perpetuam.

Por que você deveria ter visto

Porque começa como thriller de ação e termina como algo muito mais incômodo. E porque Viggo Mortensen entrega uma performance que exige mais de uma assistida para ser completamente entendida.

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Quase Famosos (2000) — Cameron Crowe

Uma carta de amor para o rock dos anos 70 escrita por alguém que estava lá.

A história que Cameron Crowe viveu antes de poder contar

William é um adolescente de 15 anos que consegue uma pauta para a Rolling Stone: cobrir a turnê de uma banda de rock fictícia chamada Stillwater. O que acontece nessa turnê é semi-autobiográfico: Cameron Crowe tinha 15 anos quando fez a mesma coisa, nas mesmas estradas, com as mesmas bandas. Kate Hudson, em sua melhor performance, é Penny Lane, a groupie que não gosta de ser chamada de groupie. Billy Crudup é o guitarrista que não sabe que está se perdendo.

Por que você deveria ter visto

Porque é o filme mais generoso sobre o que significa amar música de verdade. E porque a cena do ônibus com "Tiny Dancer" é uma das mais bonitas do cinema americano dos anos 2000.

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