Existe um tipo específico de invisibilidade cinematográfica que não tem a ver com qualidade. Tem a ver com origem, com distribuição, com o momento histórico em que um filme foi lançado e com os interesses que decidem o que chega a quem.
Esta segunda edição do Fora do Radar reúne cinco filmes que ficaram fora do circuito brasileiro por razões que não resistem a uma análise honesta. Um foi feito num país cujo cinema o mundo decidiu ignorar por décadas. Outro foi lançado em plena ditadura e passou pela censura porque os censores não entenderam o que estavam vendo. Um terceiro critica com humor o sistema que o financiou, numa Cuba de 1966 que produzia cinema extraordinário enquanto o mundo olhava para outro lado. Um quarto percorre oitenta anos de uma família italiana numa única sala de estar e parece mais contemporâneo do que a maioria dos lançamentos recentes. O quinto filmou a Revolução Cultural chinesa com uma humanidade que o governo tentou proibir e que o Ocidente simplesmente não foi ver.
Cinco países. Seis décadas de cinema. Zero concessões ao gosto fácil.
O que os une é a qualidade que o radar não captou e que a análise de cada um tenta tornar visível. Cada filme tem texto completo no Crítica Livre de Cinema. A sugestão é ler antes de assistir, ou depois, mas ler.