Poucas cinematografias no mundo construíram, com tamanha coerência estética e força moral, uma tradição tão singular quanto a do Irã. Desde o surgimento da Nova Onda Iraniana, no final dos anos 1960, o cinema do país passou a transformar limitações em linguagem e censura em metáfora, reinventando a própria ideia de realismo. Obras como The Cow, de Dariush Mehrjui, abriram caminho para uma geração que faria do cotidiano um território filosófico e da simplicidade formal uma ferramenta de profunda investigação humana.


A partir daí, nomes como Abbas Kiarostami, Mohsen Makhmalbaf e Jafar Panahi consolidaram um cinema que dissolve as fronteiras entre ficção e documentário, infância e maturidade, realidade e encenação. Em filmes como Close-Up e Taste of Cherry, a câmera não apenas observa — ela escuta, espera e contempla. O silêncio torna-se discurso; o gesto mínimo adquire dimensão universal.


Seus herdeiros ampliaram essa herança para o século XXI. Com rigor narrativo e complexidade moral, realizadores como Asghar Farhadi levaram o cinema iraniano ao centro do debate internacional, como em A Separation, onde conflitos íntimos revelam fraturas sociais profundas. Outros cineastas, mesmo diante de restrições severas, reafirmaram o cinema como ato de resistência e criação.




Ao reunir 69 filmes ao longo de mais de seis décadas, esta mostra não pretende apenas celebrar uma tradição. Pretende revelar como, em diferentes contextos históricos, o cinema iraniano reinventou continuamente suas formas de narrar, olhar e resistir. Entre silêncio e confronto, minimalismo e intensidade urbana, tradição e modernidade, o cinema do Irã permanece como uma das expressões mais sofisticadas, inquietas e necessárias do cinema mundial contemporâneo.

 


Bloco 1 – Precursores e Marco Inicial (1960–1979) 

Entre 1963 e 1977, o cinema iraniano atravessou uma transformação decisiva: deixou para trás o modelo comercial dominante e inventou uma linguagem moderna, ética e autoral que redefiniria sua identidade perante o mundo. Este bloco reúne os doze longas — e o curta fundador — que estruturam essa virada histórica. De The House Is Black, de Forough Farrokhzad, gesto inaugural que funde poesia e realidade, ao modernismo urbano de Brick and Mirror, de Ebrahim Golestan, consolida-se um novo modo de olhar: mais atento ao cotidiano, à ambiguidade moral e à dignidade dos invisíveis.

Com The Cow e The Cycle, Dariush Mehrjui amplia o alcance da crítica social, ora pela alegoria rural, ora pela denúncia institucional direta. Entre esses extremos, surgem vertentes complementares: a tensão urbana e pré-revolucionária de The Deer, de Masoud Kimiai; o modernismo inquieto de Downpour e a alegoria estilizada de The Stranger and the Fog, de Bahram Beyzai; o minimalismo radical de A Simple Event e Still Life, de Sohrab Shahid Saless; e a formação ética do olhar infantil em The Experience e The Traveler, de Abbas Kiarostami.

Juntos, esses filmes compõem um mosaico estético e moral que antecede a ruptura histórica de 1979, mas já anuncia um cinema capaz de transformar limitação em invenção e silêncio em discurso. O Bloco 1 não é apenas um panorama cronológico: é o registro do momento em que o Irã descobriu, através da imagem, uma nova forma de pensar a si mesmo — e de falar ao mundo.


A Casa é Escura (1963) Khaneh siah ast - 20 min (CURTA) (DOC)
Dir: Forough Farrokhzad

Um poema filmado que transforma exclusão em dignidade e dor em contemplação.





Tijolo e Espelho (1966) Khesht va Ayeneh - 2 h 6 min
Dir: Ebrahim Golestan

Um encontro fortuito com um bebê abandonado transforma uma noite comum em um espelho moral de uma sociedade inteira.




A Vaca (1969) Gaav - 1 h 44 min
Dir: Dariush Mehrjui

A história de um homem que, ao perder seu animal, perde também sua própria identidade.





Halou (1970) (MR. GULLIBLE) - 1 h 46 min
Dir: Dariush Mehrjui

A ingenuidade de um homem simples expõe as contradições morais de uma cidade em transformação.





Aguaceiro (1972) Ragbar - 2 h 8 min
Dir: Bahram Beyzai

Um professor solitário enfrenta a intolerância silenciosa de uma comunidade que teme aquilo que não compreende.






Etefagh sadeh (1973) (A SIMPLE EVENT) - 1 h 20 min
Dir: Sohrab Shahid Saless

 A morte da mãe é tratada como rotina — e nessa simplicidade reside a devastação.





A Experiência (1973) Tadjrebeh - 53 min
Dir: Abbas Kiarostami

Um primeiro amor silencioso revela as fronteiras invisíveis entre infância, desejo e desigualdade social.




Tabiate bijan (1974) (STILL LIFE) - 1 h 33 min
Dir: Sohrab Shahid Saless

A rotina imutável de um guarda de ferrovia revela a lentidão silenciosa da exclusão social.





O Viajante (1974) Mossafer - 1 h 23 min
Dir: Abbas Kiarostami

A obstinação de um menino por um jogo de futebol revela o preço moral do desejo.





Gavaznha (1974) (THE DEER) - 2 h
Dir: Masud Kimiai

A amizade entre dois homens à margem da sociedade torna-se retrato trágico de uma geração sem saída.







Va Meh (1975) (THE STRANGER AND THE FOG) - 2 h 26 min
Dir: Bahram Beyzaie

Um homem sem memória emerge da névoa e transforma uma aldeia em palco de mito, desejo e ameaça.






Dayereh mina (1977) (THE CYCLE) - 1 h 41 min
Dir: Dariush Mehrjui

Um mercado clandestino de sangue revela a anatomia moral de uma sociedade em decomposição.





O Relatório (1977) Gozaresh - 1 h 52 min
Dir: Abbas Kiarostami

A crise íntima de um funcionário público revela a corrosão silenciosa de uma sociedade inteira.







    Bloco 2 – Reinvenção e Consolidação Pós-Revolução (1982–1990)

    A década de 1980 representou um período de profunda transformação para o cinema iraniano. Após a Revolução de 1979 e em meio à Guerra Irã-Iraque, cineastas precisaram reinventar sua linguagem sob novas restrições políticas e culturais. Longe de enfraquecer a produção artística, esse contexto estimulou soluções formais sofisticadas: alegorias históricas, minimalismo narrativo, protagonismo infantil e dramas urbanos psicológicos tornaram-se estratégias para refletir sobre identidade, trauma e verdade. Filmes como Death of Yazdgerd e The Runner mostram como o passado e a infância puderam servir como espelhos do presente.

    Ao longo da década, consolidou-se uma geração que levaria o cinema iraniano ao reconhecimento internacional. Em obras como Where Is the Friend's Home? e The Cyclist, o cotidiano e o corpo tornam-se territórios de resistência simbólica. Já Bashu, the Little Stranger introduz uma dimensão humanista à experiência da guerra, enquanto Hamoun mergulha na crise existencial da classe média urbana. O período culmina com a radical experimentação de Close-Up, que dissolve fronteiras entre documentário e ficção e anuncia uma nova fase do cinema mundial.

    Este bloco revela um momento de maturação estética e complexidade intelectual. Se o Bloco 1 apresentou o nascimento da linguagem moderna iraniana, o Bloco 2 demonstra sua consolidação sob pressão histórica. É aqui que o cinema do Irã deixa de ser apenas promessa autoral e se afirma como uma das cinematografias mais inventivas e influentes do final do século XX.


    Marg Yazdgerd (1982) (DEATH OF YAZDGERD) - 1 h 50 min
    Dir: Bahram Beyzaie

    Um julgamento histórico transforma-se em investigação sobre verdade, poder e construção da narrativa.





    O Corredor (1984) Davandeh - 1 h 34 min
    Dir: Amir Naderi

    A corrida incessante de um menino pobre transforma sobrevivência em afirmação de dignidade.





    Onde Fica a Casa do Meu Amigo? (1987) Khane-ye doust kodjast? - 1 h 23 min
    Dir: Abbas Kiarostami

    A busca obstinada de um menino para devolver um caderno torna-se um gesto radical de ética e amizade.





    Vaghti Deegar (1988) (MAYBE SOME OTHER TIME) - 2 h 39 min
    Dir: Bahram Beyzaie

    Ao acreditar reconhecer a própria esposa em uma imagem televisiva ambígua, um homem mergulha num labirinto de suspeita, memória e identidade.





    O Ciclista (1989) Bicycleran - 1 h 22 min
    Dir: Mohsen Makhmalbaf

    Um homem pedala sem parar para salvar a esposa — e transforma o próprio corpo em espetáculo de exploração.





    Bashu, O Pequeno Estrangeiro (1989) Bashu, gharibeye koochak - 2 h
    Dir: Bahram Beyzaie

    As dificuldades enfrentadas por aqueles que são forçados a deixar suas casas devido à guerra.





    Hamoun (1990) - 2 h
    Dir: Dariush Mehrjui

    A crise conjugal de um intelectual transforma-se em vertigem existencial entre sonho, filosofia e desespero.





    Close-up (1990) Nema-ye Nazdik - 1 h 38 min
    Dir: Abbas Kiarostami

    Quando um homem comum finge ser um cineasta famoso, a fronteira entre realidade e encenação deixa de existir.






      🎬 Bloco 3 – Consagração Internacional e Expansão Estética (1990–2000)

      A década de 1990 marcou o momento em que o cinema iraniano deixou de ser apenas uma descoberta de cinéfilos atentos para se tornar referência central no cenário mundial. Após a reinvenção sob as restrições do pós-Revolução, os cineastas iranianos transformaram limitações em linguagem e alcançaram uma maturidade estética singular. Obras como And Life Goes On e Through the Olive Trees, de Abbas Kiarostami, radicalizaram a relação entre realidade e ficção, consolidando uma poética baseada na ambiguidade, na duração e na autorreflexividade. Ao mesmo tempo, novos nomes emergiam com força própria, como Jafar Panahi em The White Balloon, que levou ao mundo o minimalismo ético iraniano sob olhar renovado.

      Este período também testemunhou a ampliação temática e geracional da cinematografia do país. A explosão cromática de Gabbeh e o metacinema refinado de A Moment of Innocence, de Mohsen Makhmalbaf, dialogaram com o reconhecimento máximo alcançado por Taste of Cherry, Palma de Ouro em Cannes. Paralelamente, o drama íntimo de Leila, de Dariush Mehrjui, e o humanismo acessível de Children of Heaven, de Majid Majidi, ampliaram o alcance emocional do cinema iraniano. A emergência de The Apple, de Samira Makhmalbaf, sinalizou a chegada de uma nova geração e o fortalecimento de vozes femininas.

      O Bloco 3 revela, portanto, o momento em que o cinema do Irã se afirma como linguagem universal, capaz de articular minimalismo e experimentação, intimismo e reflexão filosófica, tradição e modernidade. Entre contemplação e ousadia formal, essa década consolidou uma das cinematografias mais influentes do final do século XX — não apenas reconhecida internacionalmente, mas decisiva para redefinir os caminhos do cinema contemporâneo.

      E a Vida Continua (1992) Zendegi va digar hich - 1 h 35 min
      Dir: Abbas Kiarostami

      Após a devastação do terremoto, a busca por dois meninos transforma-se em meditação sobre persistência e reconstrução.





      Através das Oliveiras (1994) Zire darakhatan zeyton - 1 h 43 min
      Dir: Abbas Kiarostami

      Um amor não correspondido, filmado dentro de um filme, transforma-se em reflexão sobre persistência, encenação e liberdade.




      O Balão Branco (1995) Badkonake sefid - 1 h 25 min
      Dir: Jafar Panahi

      O desejo simples de comprar um peixe dourado revela a complexidade moral de uma cidade inteira.





      Salve o Cinema (1995) Salam Cinema (1 h 15 min)
      Dir: Mohsen Makhmalbaf

      Ao convocar milhares de pessoas para um teste de elenco, o cinema revela o desejo coletivo de existir diante da câmera.






      Gabbeh (1996) - 1 h 15 min
      Dir: Mohsen Makhmalbaf

      Das cores de um tapete nasce uma história de amor, tradição e liberdade.






      Um Instante de Inocência (1996) Nun va Goldoon - 1 h 18 min
      Dir: Mohsen Makhmalbaf

      Ao reencenar um episódio violento de sua juventude, um diretor transforma memória e culpa em cinema.






      Leila (1997) - 1 h 42 min
      Dariush Mehrjui

      O amor conjugal é posto à prova quando tradição e desejo de maternidade entram em conflito.






      Gosto de Cereja (1997) Ta'm e guilass - 1 h 35 min
      Dir: Abbas Kiarostami

      Uma reflexão profunda sobre a vida e suas complexidades.






      Filhos do Paraíso (1997) Bacheha-Ye aseman - 1 h 29 min
      Majid Majidi

      Quando a Pobreza Aprende a Andar em Silêncio






      O Espelho (1997) Ayneh - 1 h 35 min
      Dir: Jafar Panahi

      Uma menina decide abandonar o filme — e o cinema se revela diante de nós.






      A Maçã (1998) Sib - 1 h 26 min
      Dir: Samira Makhmalbaf

      Ao libertar duas meninas mantidas isoladas por anos, o cinema revela a delicada fronteira entre realidade e encenação.






      Golabi (1998) (THE PEAR TREE) - 1 h 35 min
      Dir: Dariush Mehrjui

      Um escritor bloqueado retorna à casa de infância e descobre que a memória é o verdadeiro fruto amadurecido pelo tempo.








      O Vento nos Levará (1999) Bad ma ra khahad bord - 1 h 58 min
      Dir: Abbas Kiarostami

      À espera de uma morte anunciada, um estranho descobre a pulsação invisível da vida.






      A Cor do Paraíso (1999) Rang-e khoda - 1 h 30 min
      Dir: Majid Majidi

      Um menino cego enxerga o mundo com o coração enquanto o pai luta contra a própria vergonha.






      O Círculo (2000) Dayereh - 1 h 30 min
      Dir: Jafar Panahi

      Uma denúncia radical da condição feminina no Irã, articulada por meio de uma forma narrativa rigorosa e implacável.







      Tempo de Embebedar Cavalos (2000) Zamani barayé masti asbha - 1 h 20 min
      Dir: Bahman Ghobadi

      Entre montanhas geladas e fronteiras invisíveis, crianças lutam para sobreviver onde a infância não tem tempo de existir.









      🎬 Bloco 4 – Diversificação, Conflito e Nova Geração (2001–2009)

      Os anos 2000 inauguram uma nova etapa para o cinema iraniano. Se a década anterior foi marcada pela consagração internacional, este período amplia o espectro temático e formal da cinematografia do país. A maturidade conquistada nos anos 90 abre espaço para narrativas mais urbanas, mais políticas e mais diretamente conectadas às transformações sociais do Irã contemporâneo. Em filmes como Ten, de Abbas Kiarostami, a radicalização formal atinge novo patamar com o uso do digital e da estrutura minimalista, enquanto Crimson Gold, de Jafar Panahi, explicita a desigualdade urbana com contundência inédita.

      Ao mesmo tempo, o bloco revela a ampliação geográfica e geracional do cinema iraniano. Turtles Can Fly e Half Moon, de Bahman Ghobadi, deslocam o olhar para o Curdistão e para territórios periféricos, enquanto The Song of Sparrows, de Majid Majidi, revisita o humanismo sob nova perspectiva social. A juventude urbana emerge com vigor em No One Knows About Persian Cats, que revela a cena musical underground de Teerã, ao passo que About Elly, de Asghar Farhadi, anuncia uma nova forma de drama moral sofisticado que marcaria a década seguinte.

      O Bloco 4, portanto, registra um cinema em transição: menos alegórico e mais frontal, menos contemplativo e mais urbano, atento às fraturas sociais, às tensões geracionais e às transformações culturais do início do século XXI. É o momento em que o cinema iraniano, já reconhecido mundialmente, aprofunda sua complexidade interna e prepara o terreno para o ciclo de resistência e confrontação política que definirá a década seguinte.


      Zir-e poost-e shahr (2001) (UNDER THE SKIN OF THE CITY) - 1 h 32 min
      Dir: Rakhshan Banietemad

      A luta diária de uma mãe revela as fissuras invisíveis da sociedade iraniana no limiar do novo milênio.





      Baran (2001) - 1 h 34 min
      Dir: Majid Majidi

      Continua atual ao refletir sobre fronteiras, trabalho e pertencimento.






      O Voto é Secreto (2001) Raye makhfi - 1 h 40 min
      Dir: Babak Payami

      Em uma ilha remota, o ideal democrático confronta a indiferença e o desconhecimento cotidiano.






      Exílio no Iraque (2002) Gomgashtei dar Aragh - 1 h 40 min
      Dir: Bahman Ghobadi

      Entre fronteiras e ruínas de guerra, a música torna-se a última forma de pertencimento.






      Dez (2002) Dah - 1 h 29 min
      Dir: Abbas Kiarostami

      Dentro de um carro em movimento, o Irã contemporâneo revela suas vozes femininas e suas fissuras invisíveis.





      Ouro Carmim (2003) Talaye sorkh - 1 h 37 min
      Dir: Jafar Panahi

      A humilhação cotidiana transforma-se em explosão silenciosa dentro de uma cidade desigual.






      Tartarugas Podem Voar (2004) Lakposhtha parvaz mikonand - 1 h 38 min
      Dir: Bahman Ghobadi

      Às vésperas da guerra, a infância aprende a sobreviver entre minas terrestres e esperanças frágeis.






      Shahr-e ziba (2004) (BEAUTIFUL CITY) - 1 h 38 min
      Dir: Asghar Farhadi

      Entre a justiça e o perdão, a vida de um jovem depende da frágil negociação entre dor e compaixão.






      Entre Luzes e Sombras (2005) Beed-e majnoon - 1 h 36 min
      Dir: Majid Majidi

      Recuperar a visão pode significar perder a própria clareza interior.






      Quarta-Feira de Fogos de Artifício (2006) Chaharshanbe-soori - 1 h 42 min
      Dir: Asghar Farhadi

      Em meio ao ruído festivo da cidade, um casamento implode sob o peso da suspeita e do silêncio.






      Fora do Jogo (2006) Afsaid - 1 h 33 min
      Dir: Jafar Panahi

      O desejo de assistir a um jogo revela as fronteiras invisíveis impostas às mulheres.






      E Buda Desabou de Vergonha (2007) Buda as sharm foru rikht - 1 h 21 min
      Dir: Hana Makhmalbaf

      Em meio às ruínas da história, uma criança tenta aprender a escrever o próprio nome.





      A Canção dos Pardais (2008) Avaze gonjeshk-ha - 1 h 36 min
      Dir: Majid Majidi

      Entre a simplicidade do campo e o ruído da cidade, um homem descobre o valor invisível do que já possuía.






      Ninguém Sabe dos Gatos Persas (2009) Kasi az gorbehaye irani khabar nadareh - 1 h 46 min
      Dir: Bahman Ghobadi

      Em becos e porões de Teerã, a música underground pulsa como forma de liberdade clandestina.




      Procurando Elly (2009) Darbareye Elly - 1 h 59 min
      Dir: Asghar Farhadi

      Um desaparecimento transforma um passeio à beira-mar em labirinto moral sem saída.






      Keshtzar haye sepid (2009) (THE WHITE MEADOWS) - 1 h 32 min
      Dir: Mohammad Rasoulof

      Em um arquipélago de sal e silêncio, lágrimas tornam-se metáfora de uma sociedade que sufoca seus dissidentes.








      🎬 Bloco 5 – Resistência, Conflito e Reconhecimento Global (2010–2025)


      A partir de 2010, o cinema iraniano entra em uma fase marcada por tensão aberta entre criação artística e poder estatal. Se nas décadas anteriores a crítica social frequentemente se articulava por meio de alegorias e sutilezas formais, agora muitos cineastas passam a filmar sob vigilância, proibições e até prisão. Obras como This Is Not a Film e Taxi, de Jafar Panahi, transformam a própria condição de impedimento em matéria cinematográfica. O gesto de filmar torna-se ato político explícito, e o cinema assume o papel de resistência direta.

      Ao mesmo tempo, o reconhecimento internacional atinge seu ponto mais alto. A Separation e The Salesman, de Asghar Farhadi, consolidam o drama moral iraniano como referência global, enquanto There Is No Evil e The Seed of the Sacred Fig, de Mohammad Rasoulof, confrontam diretamente estruturas de poder e responsabilidade individual. O cinema deixa de apenas sugerir fissuras: ele as expõe frontalmente.

      Este bloco também revela a emergência de novas vozes e perspectivas. Filmes como Hit the Road, de Panah Panahi, e My Favourite Cake, de Maryam Moghaddam e Behtash Sanaeeha, ampliam o espectro geracional e reforçam o protagonismo feminino em um contexto social em transformação. Ao reunir obras que atravessam clandestinidade, exílio, consagração em festivais e indicação ao Oscar — como It Was Just an Accident — o Bloco 5 encerra a mostra afirmando que o cinema iraniano contemporâneo não apenas sobrevive às adversidades: ele as transforma em linguagem, memória e gesto de afirmação artística diante da história.


      A Separação (2011) Jodaeiye Nader az Simin - 2 h 3 min
      Dir: Asghar Farhadi

      Entre escolhas impossíveis e verdades fragmentadas






      Cortinas Fechadas (2013) Pardeh - 1 h 46 min
      Dir: Jafar Panahi, Kambuzia Partovi

      Quando as cortinas se fecham para o mundo exterior, o cinema torna-se o único espaço possível de respiração.






      Manuscritos não Queimam (2013) Dast-neveshtehaa nemisoosand - 2 h 5 min
      Dir: Mohammad Rasoulof

      Quando a palavra é ameaçada, o silêncio torna-se campo de batalha.






      Táxi Teerã (2015) Taxi - 1 h 22 min
      Dir: Jafar Panahi

      Um táxi em movimento que transforma as ruas de Teerã num retrato vivo da liberdade possível.

       




      O Apartamento (2016) Forushande - 2 h 04 min
      Dir: Asghar Farhadi

      Um filme sobre a difícil linha entre justiça e vingança

      CRÍTICA LIVRE DE CINEMA





      Abad va yek rooz (2016) (LIFE AND A DAY) - 1 h 52 min
      Dir: Saeed Roustayi

      Em um apartamento apertado, o futuro se negocia entre desespero econômico e lealdade familiar.






      Lerd (2017) (A MAN OF INTEGRITY) - 1 h 53 min
      Dir: Mohammad Rasoulof

      Em uma sociedade onde tudo pode ser comprado, a integridade torna-se o último território de resistência.





       
      3 Faces (2018) Se rokh - 1 h 40 min
      Dir: Jafar Panahi

      Três mulheres, três gerações, um país que ainda decide quem pode ou não pode ocupar o palco.







      Metri Shesh Va Nim (2019) (LAW OF TEHRAN) - 2 h 11 min
      Dir: Saeed Roustayi

      Em uma cidade sitiada pelo tráfico, a justiça corre na mesma velocidade que o desespero.







      Não Há Mal Algum (2020) Sheytan vojud nadarad - 2 h 31 min
      Dir: Mohammad Rasoulof

      Quatro histórias que revelam como a obediência cotidiana pode carregar o peso devastador da culpa.







      Um Herói (2021) Ghahreman - 2 h 7 min
      Dir: Asghar Farhadi

      Em uma sociedade movida por reputação, a verdade pode ser menos poderosa que a narrativa.







      Khaki (2021) (HIT THE ROAD) - 1 h 33 min
      Dir: Panah Panahi

      Uma viagem familiar atravessa paisagens áridas enquanto carrega um adeus que não pode ser dito.






      Baradaran-e Leila (2022) (LEILA'S BROTHERS) - 2 h 45 min
      Dir: Saeed Roustayi

      Em meio ao colapso econômico, uma mulher tenta salvar a família enquanto o patriarcado insiste em preservar sua própria ilusão de poder.






       
      Sem Ursos (2022) Khers nist - 1 h 46 min
      Dir: Jafar Panahi

      Quando a fronteira é invisível, o medo torna-se instrumento de controle.







      A Semente do Fruto Sagrado (2024) Dane-ye anjir-e ma'abed - 2 h 47 min
      Dir: Mohammad Rasoulof

      Quando a autoridade se infiltra no lar, a família torna-se campo de vigilância e suspeita.






      Foi Apenas Um Acidente (2025) Yek tasadef sadeh - 1 h 45 min
      Dir: Jafar Panahi

      Um estudo profundo sobre trauma, moralidade e vingança.









      Encerramento da Mostra

      Ao percorrer mais de seis décadas de criação, esta mostra revela um cinema que jamais deixou de se reinventar diante da história. Da invenção moderna da Nova Onda ao enfrentamento direto das tensões contemporâneas, o cinema iraniano transformou restrição em linguagem, silêncio em potência poética e conflito em reflexão ética universal. Seus autores fizeram do cotidiano matéria filosófica, da infância metáfora moral, do espaço urbano território de crise e da própria filmagem um gesto de resistência. Ao reunir essas obras em cinco blocos históricos, reafirmamos que o cinema do Irã não é apenas capítulo fundamental da cinematografia mundial — é um dos seus motores mais inquietos, humanos e profundamente necessários.